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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LIVROS DE SOCIOLOGIA

Para facilitar o acesso aos livros/textos de Sociologia, seguem links para baixar os seguintes conteúdos (lembrando que os mesmos serão atualizados no decorrer do curso):

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. 9 ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_fontes/acer_marx/tme_07.pdf

HOLANDA, S.B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

http://fjm.ikhon.com.br/proton/imagemprocesso/2013/07/EC3ED65F077EA3F500E4%7Dh_s_b_de_rz_br.pdf

BAUMAN,Z. Amor líquido:sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

http://www.marcelinochampagnat.com.br/files/files/16111021414820baumanzygmund.amorl%EF%BF%BDquido.pdf

QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M.L.O.; OLIVEIRA, M.G. Um toque de clássicos: Durkehim, Marx e Weber. Belo Horizonte:Ed. UFMG, 1995.

http://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/files/2015/03/Livro-Um-Toque-de-Cl%C3%A1ssicos.-Durkheim-Marx-e-Weber.pdf

GUARESCHI, P. Sociologia crítica: alternativas de mudança. Porto Alegre: Ed.Mundo Jovem,2008

https://profcesarmaia.files.wordpress.com/2013/08/sociologia-critica-pedrinho-guareschi.pdf

LAKATOS, E.M. Sociologia Geral. São Paulo: Ed. Atlas, 1990.

http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/ivocosta/materiais/Sociologia_Geral___LAKATOS.pdf

PONTES, A.M. O tabu do incesto e os olhares de Freud e Lévi-Strauss. Trilhas, Belém, ano 4, nº 1, p. 7-14, jul. 2004.

http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/dezembro2013/sociologia_artigos/pontes_artigo.pdf

QUINN, Daniel. Ismael. São Paulo:Fundação Peirópolis, 1992.
http://www.caminosostenible.org/wp-content/uploads/BIBLIOTECA/Daniel-Quinn-Ismael-portugues.pdf

MARTINS, C. B. O que é Sociologia. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994 (Coleção Primeiros Passos).
https://projetoaletheia.files.wordpress.com/2014/05/oquesociologia.pdf

LIVROS DE ANTROPOLOGIA

Visando facilitar o acesso às leituras básicas da disciplina de Antropologia, disponibilizo alguns links para baixar as respectivas referências (lembrando que as mesmas serão atualizadas no decorrer do curso, quando necessário):

MARCONI M.A.; PRESOTTO, Z.M.N. Antropologia uma introdução. São Paulo: Ed. Atlas, 2010.

https://professorsauloalmeida.files.wordpress.com/2014/08/antropologia-uma-introduc3a7c3a3o-marconi-e-presotto.pdf

LAPLANTINE, F. Aprender Antropologia. São Paulo: Ed. Brasiliense, 2013.

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/80913/mod_resource/content/3/Aprender%20Antropologia%20(Fran%c3%a7ois%20Laplantine).pdf

LARAIA, R. B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2001.

https://projetoaletheia.files.wordpress.com/2014/05/cultura-um-conceito-antropologico.pdf

LE BRETON, D. Adeus ao corpo. São Paulo: Papirus, 2007.

https://books.google.com.br/books?id=tuop9RFGnN4C&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

ROCHA, E. P. O que é etnocentrismo. São Paulo:E. Brasiliense, 1988.

https://comunicacaoeesporte.files.wordpress.com/2010/10/colec3a7c3a3o-primeiros-passos-o-que-c3a9-etnocentrismo.pdf

Texto sobre o conceito de cultura:

http://www.igtf.rs.gov.br/wp-content/uploads/2012/03/conceito_CULTURA.pdf

MALINOWSKI, Bronislaw. Argonautas do Pacífico Ocidental. (Introdução). São Paulo: Abril Cultural, 1976 [1922].

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1032975/mod_resource/content/1/MALINOWSKI%20B%20-%20Argonautas%20-%20Introdu%c3%a7%c3%a3o%20objeto%20m%c3%a9todo%20e%20alcance%20desta%20investiga%c3%a7%c3%a3o.pdf 

PONTES, A.M. O tabu do incesto e os olhares de Freud e Lévi-Strauss. Trilhas, Belém, ano 4, nº 1, p. 7-14, jul. 2004.

http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/dezembro2013/sociologia_artigos/pontes_artigo.pdf

ELIADE, M. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

http://gepai.yolasite.com/resources/O%20Sagrado%20E%20O%20Profano%20-%20Mircea%20Eliade.pdf

BERGER, M. As chaves do templo. PONTO URBE- Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, Ano 2, 2008.
http://www.mirelaberger.com.br/mirela/download/as_chaves_do_templo.pdf

QUINN, Daniel. Ismael. São Paulo:Fundação Peirópolis, 1992.
http://www.caminosostenible.org/wp-content/uploads/BIBLIOTECA/Daniel-Quinn-Ismael-portugues.pdf
 


Boa leitura!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014




A fantástica charge do Angeli me lembrou um trecho do livro "Viagem pitoresca através do Brasil" de Rugendas, escrito em 1824:

"Poder-se-ia pensar que num país como o Brasil deve ser quase impossível pegarum negro fugido; é raro, no entanto, que este não seja rapidamente preso. Deve-se esta facilidade à instituição dos capitães-do-mato. São negros livres que gozam de um ordenado fixo e são encarregados de percorrer os distritos de vez em quando, com o fito de prender os negros evadidos e conduzi-los a seus senhores ou, não os conhecendo, à prisão mais próxima. A captura é em seguida anunciada por um cartaz afixado à porta da igreja, e o proprietário, desse modo, logo se encontra. Muitas vezes, esses capitães-do-mato empregam, nas suas buscas grandes cães ensinados."





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

José Mujica, o presidente "mais pobre" do mundo


Nada em particular na casa do presidente José Mujica indica quem vive realmente alí: um homem com um passado cinematográfico que exerce o cargo de maior poder no Uruguay. 
Ao chegar em sua chácara, em uma zona rural de Montevideo, pode ver-se desde a rua, as roupas de Mujica e sua esposa, a senadora Lucia Topolansky, estendida ao ar na manhã de uma primavera austral.

Ele está sentado à sombra, ao lado do portão de entrada. Veste uma velha calça de algodão arregaçada, camisa polo e jaqueta esportiva. Sua pequena cachorra Manuela -mestiça e com uma pata amputada o acompanha, cheirando-o.
"Não tenho religião, mas sou quase um panteísta: admiro a natureza", disse durante uma longa conversa exclusiva com a BBC Mundo. " Admiro quase como quem admira a magia". 
Toca um telefone e Mujica tira do bolso um velho celular dobrável, atado a um elástico. O elástico se rompe, mas o presidente dá um nó enquanto fala. E torna a colocar em volta do celular.
"Não me disfarço de presidente e sigo sendo como sempre fui", comenta.
Sua imagem não encaixa necessariamente com a de um chefe de Estado do século XXI. Não usa Twitter, nem correio eletrônico e em seu tempo livre se dedica a cultivar flores e hortaliças.
Doa quase 90% do seu salário para caridade e segundo sua última declaração de bens tem, com Topolansky um patrimônio de uns US$200 mil: a chácara, dois velhos fuscas "escaravelhos" e três tratores.
É um estilo de vida que não tem passado despercebido pela imprensa internacional e nas redes sociais, que o tem chamado de "o presidente mais pobre do mundo". Também tem dado a volta ao mundo para promover um projeto de lei que permitiria ao Estado uruguayo produzir e vender maconha.
"Galopar para dentro"
"Estive sete anos sem ler um livro. Tive que repensar tudo e aprender a galopar para dentro por momentos, para não ficar louco"
José Mujica
Mujica, a quem muitos uruguaios chamam simplesmente "Pepe", está longe de ser um outsider da política, uma atividade que ele vai garantir "com pernas para frente", o que significa que pensa em praticá-la enquanto estiver vivo.
Nasceu há 77 anos e quando jovem militou no Partido Nacional (PN, opositor ao governo) e nos anos 60 foi fundador do Movimento de Liberação Nacional-Tupamaros (MLN-T), uma guerrilha urbana de esquerda influenciada pela revolução cubana e o marxismo.
Foi ferido de bala e detido em várias ocasiões. Em 1971 fugiu do cárcere junto a mais de uma centena de militantes, em uma das maiores fugas carcerárias da história do país. Foi recapturado, escapou e caiu preso outra vez.
No total, passou 14 anos preso.
Após o golpe de Estado de 1973, integrou um grupo de "nove reféns" tupamaros que o regime militar manteve em condições desumanas de tortura e isolamento, fechado um tempo em uma cisterna.
Esses anos de soidão foram provavelmente os que mais me ensinaram. Estive sete anos sem ler um livro. Tive que repensar tudo e aprender a "galopar para dentro" para não ficar louco.
"Necessito pouco"
Recuperou a liberdade com uma anistia em 1985 e uma década depois foi eleito deputado, em seguida senado e em 2005 foi ministro da Agricultura do primeiro governo da coalizão de esquerda Frente Ampla.
"Não sou o presidente pobre, pobre são os que querem mais", assegura Mujica.
Ele venceu o segundo turno das eleições presidenciais de novembro de 2009 com 53% dos votos. No entanto, segui vivendo na casa que morava com sua mulher, onde na entrada há uma sala cheia de imagens e recordações e atrás, uma cozinha onde Mujica lava com as mãos uns copos para servir uma bebida aos visitantes.

"Para viver preciso de dois ou três cômodos, uma cozinha, o básico que eu e minha companheira arrumamos rapidinho. 

Mujica afirma que a austeridade é parte de uma "luta pela liberdade".

"Se tenho poucas coisas, necessito pouco para sustentá-las", raciocina. "Portanto, meu tempo de trabalho eu dedico ao mínimo. Para que eu preciso de tempo? Para gastá-lo com as coisas que eu gosto. Nesse momento, creio que sou livre". 
Pregação e governo

Apesar de sua reivindicação de austeridade, há quem  diga que o governo gasta mais do que arrecada. E apesar de sua fala anti-consumista, durante sua gestão, os uruguaios tem comprado muitos carros e outros bens de consumo importados como poucas vezes na história do país.

" A crítica que Mujica faz utilizando a palavra consumismo, ocorre a partir de uma visão filosófica", disse Marcelo Lombardi, presidente da Câmara de Comércio e Serviços do Uruguai.
O ex-presidente Luis A. Lacalle (PN), que perdeu o segundo turno eleitoral de 2009 para Mujica, afirma que este assumiu com a "maioria no parlamento e uma prosperidade econômica como há anos o país não conhecia".
"Hoje, na metade do mandato do presidente Mujica, podemos dizer que sua gestão não tem sido tão boa como poderia ser", disse Lacalle à BBC Mundo e menciona problemas na saúde, educação e obras públicas.

Em sua casa de Carrasco, um bairro abastado de Montevideo, Lacalle afirma que Mujica "se confunde e às vezes sai da mera modéstia, que (...) é uma opção, para entrar na crença de que é popular falar mal. dizer palavras grosseiras".
"O presidente tem que ser um exemplo", diz. "Um presidente que usa mal as palavras e usa palavras comuns não é o que um país quer".
"Que critiquem tudo o que quiserem"
Segundo pesquisas recentes, a popularidade de Mujica tem caído para baixo de 50% e a aprovação de seu desempenho como presidente é menor que 40%.
Para alguns uruguaios, a austeridade não é sinônimo de um bom governante, não é passagem direta para a aprovação.

Ignacio Zuasnabar, da pesquisa local Equipos, explica que a imagem de homem comum e atual "é um ponto muito importante de Mujica que é valorizado pelas pessoas, mas não necessariamente isto é suficiente para conter críticas sobre outros aspectos da gestão".
"A gestão do governo está apresentando alguns questionamentos quanto aos resultados", disse.
Também explica que o presidente tem "um estilo que não gera consensos majoritários no Uruguay", com setores mais populares e menos escolarizado que se identificam com ele e outros mais escolarizado que predominantemente o rechaçam.

Mujica disse que caiu nas pesquisas "porque as pessoas estão muito melhores e ambicionam muito mais".
Destaca que em seu país de 3,3 milhões de habitantes, houve 850 mil que saíram da pobreza em sete anos e agora "exigem do governo e o governo dá o que pode"
No entanto, nega que as críticas o afetam.
" Eu vou seguir governando como me parece, no acerto ou no erro. Que critiquem tudo o que quiserem, para isso é a liberdade", comenta. " A mim, se tem criticado toda a vida".

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma música que deseja ser ouvida


São constantes as queixas sobre a baixa qualidade musical que circula por aí.  Mas quem define o que é bom e o que não é? O ouvinte? As pessoas podem e devem ouvir o que quiserem, mas o problema é que, em várias situações, música boa não chega. O famoso "jabá" invade tudo: rádio, novela, comercial, meio de transporte, nosso cérebro e até o mundo da pirataria. Será que acho facilmente um cd pirata do Francisco Aafa? Creio que não.
Esse cara tem uma voz incrível, doce e forte ao mesmo tempo. Apesar de ser piauiense, mora em Goiás há muito tempo e tem um amplo destaque cultural por lá. Em 1986, participou da faixa "Arrumação" do célebre  disco "Cantoria II", ao lado de Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. 
A letra  maravilhosa, de autoria de Elomar, retrata os rincões do Brasil, o sertão mais profundo e desconhecido pela maioria. Uma pena essa pérola não virar "jabá".




Arrumação (Letra - Elomar ,Interpretação- Francisco Aafa)

Josefina sai cá fora e vem vê
Olha os forro ramiado vai chuvê
Vai trimina riduzi toda criação
Das bandas de lá do ri gavião
Chiquera pra cá já roncô o truvão
Futuca a tuia, pega o catadô
Vamo plantá o feijão no pó
Mãe prudença inda num cuieu o ai
O ai roxo dessa lavora tardã
Diligença pega o pano cum balai
Vai cum tua irmã, vai num rumo só
Vai cuiê o ai, o ai da tua avó
Lua nova sussuarana vai passá
Sêda branca, na passada ela levô
Ponta d'unha, lua fina risca no céu
A onça prisunha, a cara de réu
O pai do chiquêro a gata comeu
Foi um trovejo c'ua zagaia sõ
Foi tanto sangue de dá dó
Os cigano já subiro bêra ri
É só danos, todo ano nunca vi
Paciência, já num guento a pirsiguição
Já sô caco véi nesse meu sertão
Tudo que plantei foi só pra ladrão.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pra quem gosta de folclore

Personagem forte do folclore brasileiro, o saci povoa o nosso imaginário e existem diversas versões do mito pelo Brasil afora. Folheando um livro sobre folclore do Alceu Maynard Araújo que tenho desde criança, me deparo com um texto sobre o Saci, que adoro. Reproduzo na íntegra pra quem gosta de folclore:

" Em São Luiz do Paraitinga, o Major Benedito de Sousa Pinto afirmou: "Conhecemos três espécies de saci: trique, saçurá e pererê. O Saci mais encontrado por aqui é o Saci-pererê. É um negrinho de uma perna só, capuz vermelho na cabeça e que, segundo alguns, usa cachimbo, mas eu nunca o vi. É comum ouvir-se no mato um "trique", isso é sinal que por ali deve estar um Saci-trique. Ele não é maldoso, gosta só de fazer certas brincadeiras como, por exemplo, amarrar o rabo de animais.
O Saçurá é um negrinho de olhos vermelhos; o Trique é moreninho e com uma perna só; o Pererê é um pretinho que, quando quer se esconder, vira um corrupio de vento e desaparece no espaço. Para se apanhar o pererê, atira-se um rosário sobre o corrupio de vento.
"Quando se perde qualquer objeto, pega-se uma palha e dá-se três nós, pois se está amarrando o "pinto" (pênis) do saci. Enquanto ele não achar o objeto, não desatar os nós. Ele logo faz a gente encontrar o que se perdeu porque fica com vontade de urinar (Amaro de Oliveira Monteiro).
Quando se vê um rabo de cavalo amarrado, foi o saci quem deu o nó. Tirando-se o gorrinho do saci-pererê, ele trará para quem lhe devolva, tudo o que quiser.
Quando passar o redemoinho de vento, jogando-se nele um garfo sai o sangue do saci. Outras versões: jogando-se um rosário o saci fica laçado; jogando-se a peneira, fica nela."
Também costuma-se ouvir o assovio do saci no meio do mato. À noite, adora  trançar as crinas dos cavalos, deixando-os totalmente embaraçados.
 Figura controversa e anárquica, o Saci ganhou as ruas da grande São Paulo e se destaca no cenário urbano através da obra do grafiteiro Thiago Vaz.


Mais:

ARAUJO, Alceu Maynard. Folclore Nacional. vol 1 - Festas, bailados, mitos e lendas. Edições Melhoramentos. 1964.

Saci urbano: 

Sociedade dos observadores do Saci
http://www.sosaci.org/




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O "Velho Oeste" é aqui!


Os tempos são difíceis. As últimas  tentativas de desmonte dos direitos indígenas através da PEC 215 e da Portaria 303 da AGU deram munição aos setores antiindígenas da sociedade. Os constante ataques às comunidades indígenas, sobretudo os Guarani-Kaiowá e o atropelo das grandes obras do setor energético estão solapando direitos adquiridos. Escrevi  algumas vezes sobre a grave situação dos Guarani-Kaiowá neste blog. Mas os avanços são praticamente nulos.

No dia 10-08-2012, durante a retomada de uma terra tradicional já homologada pelo governo, os indígenas foram atacados por pistoleiros. Saldo: uma criança morta e um  indígena desaparecido, além do grupo ser submetido à tortura física e psicológica por gente que defende com armas, unhas e dentes o direito à propriedade. 
No último fim de semana, circulou uma notícia em que um fazendeiro conhecido como "Lenço Preto" anuncia uma verdadeira guerra no MS nos próximos dias. Recheado de jargões como "eles querem terra só para incomodar", o discurso é o retrato da visão estereotipada de que "há muita terra para pouco índio".




Como a certeza da impunidade paira no ar, afinal de contas o "Paraguai é logo ali", nada mais seguro do que contratar pistoleiros da país vizinho. É assustador como essas manifestações escancaradas de ódio e racismo são cada vez mais comuns. 
Volto a repetir os escritos de outro post meu:
A ação de milícias armadas travestidas de empresas de segurança, contratadas por fazendeiros no MS contra homens, mulheres e crianças desarmados e que estão apenas fazendo valer seu direito é inadmissível. Esse poder paralelo, que vem intimidando até agente da Polícia Federal, está a serviço do “direito à propriedade”, jargão aclamado por muitos. Afinal, o discurso do agronegócio está sempre atrelado à “eficiência” e “produtividade”, necessários ao “desenvolvimento” do país. É um discurso que  cola, pois como se encontra intimamente ligado a valores patriarcais e moralistas,  a concentração fundiária signifca poder e honra.
O avanço das fronteiras agrícolas no país, seja para monocultura de soja, cana ou criação de gado está transformando o ambiente e provocando um verdadeiro genocídio entre os Kaiowá. Inseridos no rol dos refugiados ambientais, os Guarani-Kaiowá são expulsos de seus territórios tradicionais e lançados a situações degradantes e de extrema vulnerabilidade, com violações de todo tipo.  
Não podemos ser coniventes. No entanto, quando se trata de um coletivo ameaçado, como é o caso, a resposta muitas vezes é o silêncio. É urgente que as pessoas se mobilizem, coloquem a questão em pauta, cobrem do poder público, além de  discutir os atuais padrões de consumo. Caso contrário, vamos assistir passivamente, assoviando e chupando cana, o extermínio de outros líderes indígenas.