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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O "Velho Oeste" é aqui!


Os tempos são difíceis. As últimas  tentativas de desmonte dos direitos indígenas através da PEC 215 e da Portaria 303 da AGU deram munição aos setores antiindígenas da sociedade. Os constante ataques às comunidades indígenas, sobretudo os Guarani-Kaiowá e o atropelo das grandes obras do setor energético estão solapando direitos adquiridos. Escrevi  algumas vezes sobre a grave situação dos Guarani-Kaiowá neste blog. Mas os avanços são praticamente nulos.

No dia 10-08-2012, durante a retomada de uma terra tradicional já homologada pelo governo, os indígenas foram atacados por pistoleiros. Saldo: uma criança morta e um  indígena desaparecido, além do grupo ser submetido à tortura física e psicológica por gente que defende com armas, unhas e dentes o direito à propriedade. 
No último fim de semana, circulou uma notícia em que um fazendeiro conhecido como "Lenço Preto" anuncia uma verdadeira guerra no MS nos próximos dias. Recheado de jargões como "eles querem terra só para incomodar", o discurso é o retrato da visão estereotipada de que "há muita terra para pouco índio".




Como a certeza da impunidade paira no ar, afinal de contas o "Paraguai é logo ali", nada mais seguro do que contratar pistoleiros da país vizinho. É assustador como essas manifestações escancaradas de ódio e racismo são cada vez mais comuns. 
Volto a repetir os escritos de outro post meu:
A ação de milícias armadas travestidas de empresas de segurança, contratadas por fazendeiros no MS contra homens, mulheres e crianças desarmados e que estão apenas fazendo valer seu direito é inadmissível. Esse poder paralelo, que vem intimidando até agente da Polícia Federal, está a serviço do “direito à propriedade”, jargão aclamado por muitos. Afinal, o discurso do agronegócio está sempre atrelado à “eficiência” e “produtividade”, necessários ao “desenvolvimento” do país. É um discurso que  cola, pois como se encontra intimamente ligado a valores patriarcais e moralistas,  a concentração fundiária signifca poder e honra.
O avanço das fronteiras agrícolas no país, seja para monocultura de soja, cana ou criação de gado está transformando o ambiente e provocando um verdadeiro genocídio entre os Kaiowá. Inseridos no rol dos refugiados ambientais, os Guarani-Kaiowá são expulsos de seus territórios tradicionais e lançados a situações degradantes e de extrema vulnerabilidade, com violações de todo tipo.  
Não podemos ser coniventes. No entanto, quando se trata de um coletivo ameaçado, como é o caso, a resposta muitas vezes é o silêncio. É urgente que as pessoas se mobilizem, coloquem a questão em pauta, cobrem do poder público, além de  discutir os atuais padrões de consumo. Caso contrário, vamos assistir passivamente, assoviando e chupando cana, o extermínio de outros líderes indígenas.

Um comentário:

  1. Que absurdo!O que esse cara acha que faz todo sentido pra ele, significa a matança de um povo, de uma cultura.Plantar pra subsistir, como fazem os índios, não faz sentido pra ele; é esse tipo de pensamento capitalista que destrói tudo para plantar soja e mais soja!

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